My Fucking Moleskine

Leia o que escrevo, sinta o que escrevo, me ame, me sinta, me entenda… Ou melhor, entenda o que meu coração escreve e tenta dizer.

Entre a fumaça.

  Foi no meio da fumaça dos nossos cigarros que a gente se viu a primeira vez. Tontos com tanto uísque, confusos com aquela música alta e as luzes brilhantes. Ainda não sei direito como tudo aconteceu. Não tenho ideia do porque você me chamou a atenção (e vice-versa). Não faz sentido.
 Foi no meio da fumaça dos nossos cigarros que a gente falou besteira e gargalhou por horas. E entre goles de uísque, cerveja, tequila, eu ainda procurava o sentido em tudo aquilo.
 Foi no meio da fumaça dos nossos cigarros que eu me encantei pelo brilho dos seus olhos puxados e seu sorriso inocente. E aquele frio não me atingia sempre que eu te olhava por mais de um segundo.
 Foi apenas uma noite pra me tirar o sono depois de meses. Poucos cigarros pra me convencer de que isso não passava de uma ilusão. Alguns goles pra eu não me deixar apaixonar. E uma pergunta: ‘Em qual esquina minha desgraça vai encontrar a sua novamente?’

Go!

 Ando cada dia mais apaixonada pela Geração Beat. Toda a ideologia, os poemas, livros, músicas… Eu já havia lido alguns dos livros clássicos há algum tempo, mas nunca me aprofundei no assunto, até hoje. 
 Sempre tive essa vontade de colocar a mochila nas costas e saí sem rumo, conhecer novas culturas, novas idéias, novas pessoas… Novidades em todos os cantos. Não consigo me conformar em ficar aqui, parada, vendo o mundo passar.
 Não vejo a hora de pegar a estrada. Minha habilitação chegará em alguns dias, mas ainda não tenho um carro. De qualquer maneira vou me planejar, ano que vem será o ano! Não vou parar por muito tempo. É claro que tenho que começar a faculdade, mas nos finais de semana, feriados, férias, eu com certeza estarei com o pé na estrada. 
 Sinto uma excitação extrema só de imaginar tudo que pode acontecer. Talvez seja isso que me falta para escrever de verdade. Eu preciso viver, me aventurar, me arriscar, ser eu mesma! 

  Eu tenho pena de pessoas pequenas, ignorantes, egoístas… Aquelas que além de acharem que tudo gira em torno do próprio umbigo, ainda criticam e ridularizam a vida alheia. Pessoas assim não fazem falta no mundo. Na verdade, sua extinção nos faria um bem enorme. 
 Tenho pena de pessoas que se acham superiores a todos. Ditam leis, esboçam sorrisos cínicos… São hipócritas, nojentas, estúpidas… Fedem! 
 Tenho pena de sentir pena de pessoas que vivem assim e se convencem de que isso é aproveitar a vida. Eu queria poder disser que elas me são indiferentes, mas não seria verdade. Me irrita os falsos sorrisos e a pose. Não sou melhor que elas e nem pretendo ser. Apenas sou diferente e é isso me faz sorrir.

Reflexo [parte 2].

 É em dias nublados que as coisas fazem mais sentido. A densidade das nuvens de alguma forma reflete meu estado de espírito. Sinto tudo em dobro, sono, fome, paixão, saudade… Sinto sem medo de sentir. Penso em você sem parar e parece que estou enlouquecendo. Como alguém que esteve perto por apenas algumas horas pode me deixar assim? Fico me lembrando do seu sorriso brincalhão e aquelas frases bobas que me fizeram gargalhar. Ah, e seus olhos! Olhos fofos e puxados. Ainda não sei se brilhavam de felicidade ou por causa da quantidade exagerada de uísque que você havia bebido. Não importa, eles brilhavam tanto que eu não conseguia parar de te olhar. Você percebeu, claro. Mas não percebeu que eu queria ficar abraçada com você a noite toda e que eu sentia tudo o oposto do que falava. Todos os ‘nãos’ na verdade eram pra ser ‘sims’ e que todas as vezes que afastei, na verdade queria me aproximar e não te largar mais. 
 Talvez a gente ainda se veja de novo. Talvez você ainda se lembre de mim. Talvez eu ainda faça tudo que eu queria ter feito. Talvez teremos muito mais noites pela frente. 

Tão distante. Tão perto.

 Faz quase dois meses e eu ainda me pego pensando nos seus olhos puxados e sorriso de moleque. Faz quase dois meses e me arrepio toda fez que começo a recordar aquela noite. Os abraços, as loucuras, as risadas e arranhões. Os cacos dos litros de uísque no asfalto e o frio congelante. Foi tão rápido, tão intenso, tão… Inesquecível.
 Posso nunca mais te ver e ainda me lembrarei dessa noite daqui 20, 30, 40 anos. Ainda me lembrarei de você e das idiotices que saiam da sua boca. Ainda me arrependerei de todas as coisas que deixei de fazer.
 E ainda pensarei nos seus olhos puxados e sorriso de moleque…

Apenas mais um desabafo.

  Existe algo mais difícil do que escolher qual caminho seguir? Qualquer mínima decisão pode mudar todo um futuro. É melhor seguir os passos que todos os esperam, mas que parece arriscado demais ou aquele que pode chocar o mundo, mas que te atrai de uma forma tão aconchegante quanto um abraço de mãe? É melhor ficar por perto das pessoas que realmente te amam ou se jogar de cabeça num mundo solitário, interessante, mas vazio? 
 Às vezes acho que o medo me impede de fazer o que realmente quero. Outras vezes acho que nada disso realmente faz parte de mim. Sonhei por tanto tempo com uma vida assim, que não me abri para outras alternativas. Tampei o rosto com a mãos e segui em frente, sem olhar pros lados. E agora, quando eu finalmente começo a perceber o que perdi, não há apoio, não conseguem acreditar que isso também faz parte de mim.
 Eu mudei. Eu não sou a mesma adolescente que quer chocar o mundo. Talvez eu queira ser normal. Talvez eu queira uma vida tranquila num interior, com um futuro simples e nada mais. Talvez eu queira paz. 

A ausência.

  Deitei, me cobri com o edredom e então percebi que cabia perfeitamente mais uma pessoa ali do lado.  
 Coloquei os fones de ouvido e voltei a escutar meu rockzinho deprimente.  
 Adormeci.  
 Acordei no dia seguinte em uma cama fria, abraçando o vazio.

Reflexo.

Ele sofre.
E eu sofro com ele.
Mesmo que ele não saiba.
Mesmo que não faça sentido algum.
Sua felicidade é a minha felicidade.
Sua tristeza é a minha tristeza.
E meu coração…
Ah, esse é todo seu. 

O Barbudo Acarinhador

Queria guardar seu sorriso comigo.
Carregá-lo em meu peito.
Queria guardar sua voz 
sussurrando piadas imbecis 
ou cantando musicas doces.
Queria guardar sua alma 
que sempre me fez sentir tão bem 
e que mesmo distante me envolvia em abraços imaginários.
Queria guardar nossa amizade, 
mas acho que isso eu já perdi. 
Fui me afastando aos pouquinhos 
e quando vi, você já tinha me esquecido.
Só me resta guardar a lembrança do que nunca existiu.
Sua barba grossa machucando a minha bochecha.
Seus toques em minha mão.
Seu coração.

Moreno do cabelo enroladinho.

  Hey, ta me ouvindo? Pois é, sou eu. Apareci depois de meses. Eu to com saudade. Não consigo parar de pensar em você, seus cachos, sua barba, seu sorriso. Coloco suas gravações no repeat e me arrepio ao te ouvir cantar. Sinto saudade, moreno. Saudade de trocar sms, de como você me deixava envergonhada. Saudade de imaginar nosso primeiro encontro. Saudade até de ter medo de me encontrar com você.
 Sabe, foi isso que fez com que eu me afastasse, o medo. Sempre o medo. Não tive coragem de te ver pessoalmente. Na verdade, ainda não tenho coragem. Minha insegurança destrói minha vida, faz com que eu perca pessoas importantes, como você, moreno. Queria que você lesse isso. Talvez viesse falar comigo. Talvez me mandasse parar ser boba e que tava vindo me abraçar agora. E então você apareceria aqui na minha porta e eu ia finalmente, poder te tocar.
 Faz bem sonhar de vez enquando, moreno. Faz bem…